Durante muitos anos, em especial na década de 40, os instrumentos que identificavam o jazz eram o trumpete e a clarineta.

live_palicariEstavam nos reclames, nos desenhos dos envelopes de papel bege dos discos de 78 rotações, nas estantes dos músicos de big bands, nas decorações de boates.

A razão é lógica: os “stars” eram Louis Armstrong e Harry James, Benny Goodman e Artie Shaw.

Agora, quando os ídolos são outros, os símbolos também mudaram.

A guitarra e o saxofone ilustram coloridos outdoors e cartazes de festivais, vinhetas e comerciais de televisão, estojos plásticos de CDs e palcos de espetáculos. Os saxofonistas Charlie Parker, Lester Young e John Coltrane, três lendas, representam os novos heróis. Paralelamente, em anos mais recentes, surgiu uma área de ação que não existia, dominada por esses mesmos dois instrumentos, sax e guitarra.

Os saxofonistas David Sanborn e Grover Washington Jr. são dos mais conhecidos protagonistas dessa vertente instrumental, de tremenda receptividade no mundo inteiro, filiada ao jazz e à música dançante.

No Japão por exemplo, o saxofonista equivalente a esses dois chama-se Malta.

Esses músicos competentes, improvisadores e com desenvoltura em show têm o perfil de Derico Sciotti, saxofonista, flautista, e para quem não sabe, também contrabaixista.

Derico ganhou projeção nacional como integrante do Quinteto do Programa Jô Onze e Meia, destacando-se ainda como o ”assessor para assuntos aleatórios”.

A mesma agilidade com que tira da cartola respostas desconcertantes para as perguntas à queima roupa de Jô Soares, distingue o sax de Derico. Àgil com swing e improvisador com idéias, Derico abre, em seu disco de estréia, um leque de gêneros e rítmos que nada têm de aleatórios.

Sua proposta é bem clara e ele sabe como definí-la: música pop instrumental. Vale jazz (“Night in Tunisia”, de Dizzy Gillespie), dance (“In The Stone”, de Earth, Wind & Fire), rock (“I’m in You”, de Peter Frampton), pop (“Human Nature”, de Michael Jackson), balada (“One More Night”, de Phil Collins), mpb (“Fato Consumado”, de Djavan), nordeste brasileiro (“Baião”,de Luis Gonzaga) e o tempero funky por riba de cada faixa.

Nos saxes soprano, alto ou tenor, e na flauta, que por sinal é o intrumento de sua formação clássica, Derico apura o sabor ao lado de quatro músicos abundantes em energia: Christiano Rocha ataca a bateria, Cláudio Machado pulsa o baixo, Marcelo Pizarro dedilha a guitarra e o irmão Serjão (Sérgio Sciotti) harmoniza nos teclados

Derico Scotti chega logo em seu novo trabalho a um patamar que, para falar a verdade, não me surpeende. É que já o conheço de velhos carnavais e acredito que, com este CD gravado ao vivo, ele decola para a carreira no momento certo. O assessor assume o comando!

Zuza Homem de Mello

  1. Pick Up The Pieces – Baixar trecho
  2. Le Freak / Got To Be Real
  3. Boa Noite
  4. Human Nature – Baixar trecho
  5. A Night In Tunisia
  6. I’II Be Here For You
  7. Baião – Baixar trecho
  8. Fato Consumado
  9. I’m In You
  10. In The Stone
  11. Bad Love – Baixar trecho

Bônus track

  • One More Night
  • Calling You